Era uma vez uma garota que acredita em contos de fadas e em belos romances, que sonha com seu príncipe, com dragões e gnomos.
Que conversa com fantasmas e que tem seus próprios fantasmas.
Mas que tem os pés bem ancorados ao chão.
Era uma vez uma garota, não muito comum, para alguns exótica, para outros misteriosa, ou diferente.
Era uma vez uma garota, que passou por muita coisa, e foi mais além do que pensou que podia.
Era uma vez uma garota que tropeça, cai, levanta. E que desfilou na passarela, quebrou o salto, riu e consertou seus sapatos.
Era uma vez uma garota que quer conhecer o mundo, e que ainda espera e sonha por isso.
Que enfeitiça quadros e devorava livros.
Que gosta de brincar com palavras.
Era uma vez uma eterna sonhadora.

Partida em dois

Partida em dois.
Espeto o dedo na roca, me magôo.
Por que eu tento ser racional?
Porque finjo para mim?
Não sou razão.
Minha razão é hipócrita e covarde.
Meus sentimentos são loucos e inexplicáveis.
Minha razão é severa,
me coloca de castigo,
presa em meus próprios pensamentos,
numa queda de braço,
minha mente sabe as formas,
meu coração é mais forte.
Em cima do muro,
dos dois lados do muro,
e acabo caído do lado mais louco,
tentando escalar e pular para o outro,
mas paro quando chego em cima.
Dividida.
Estou em cima de um muro?
Estamos sempre em cima do muro?
Sempre buscando equilíbrio?
Não quero um muro,
Quero uma ponte,
para passear de ambos os lados,
sem a dor da queda,
sem esforço para escalar.
Quero ficar no meio e viver
ambos os lados.
Não há escolhas a serem feitas,
sou os dois.
Não é equilíbrio,
é harmonia.

Saudades

Nunca perca os sonhos,
não esqueça da magia.
As coisas transformam-se aos seus olhos.
Você não vê, pois você não acredita mais.
As cinzentas brumas o envolvem.
Não vê mais dia nem noite, tudo é igual, nublado.
As fadas viraram purpurina para você.
Porque você não acredita mais.
Tenho pena de sua vida monótona.
A mesma coisa a cada estação, tudo cinza.
E assim um arbusto perdeu as folhas,
e foi virando um galho seco.

O botão já virou uma rosa, de vermelho intenso e apaixonado.
E você nem viu.
Prefiro perder e recuperar pétalas e folhas,
ser tocada pelas fadas, ver estrelas.
Do que ser um galho seco,
que sutilmente vai sendo corroído pelo tempo,
sem sentir, até não restar nada.
Prefiro ser sacudida
por uma brisa morna num crepúsculo
e por uma gelada tempestade na primavera,
do que ser um galho seco,
imóvel, duro, sem vida.

Eu lamento, hoje, pelo galho,
era um belo arbusto onde moravam fadas.
O galho esta quase se partindo, sua madeira chia.
O galho ouve o próprio barulho, mas continua chiando.
Ele lembra que já foi um arbusto,
que já acreditou em magias e fadas.
Nem sabe quando as esqueceu e perdeu.
E ele coloca a culpa em pragas,
pragas da rosa e de outras flores.
A rosa lhe dá uma pétala e lhe mostra uma fada,
e ele nem tenta segurar ou conversar.
Continua chiando, chiando, chiando.

Uma poesia sobre o amor

Nem o meu mais belo sonho,
nem minha fértil imaginação,
conseguiram mensurar
o quanto eu seria capaz de amar.

Meus versos podem ser clichês, de rimas tortas,
sobre um tema desgastado,
isso não me inibe.
E meu coração nem usa mascaras.

Ele me inunda de beijos e belas palavras.
Bagunço seus cabelos e faço cafuné.
Conversamos sobre tudo e sobre nada.
As palavras nem são necessárias.

Colecionamos risos, histórias
e piadinhas particulares.
Compartilhamos sonhos e desejos.
Nem preciso dizer que amo você.

Nossa história é incomum,
poderia estar num filme,
uma comédia romântica com final feliz,
mas é a nossa vida.

Poesia confusa, de rimas tortas,
que não explicam nada.
Você deu um conto de fadas
á uma sonhadora com pés no chão.

Enigma do ser esfinge

“Decifre-me ou devoro-te”
Somos o mais difícil enigma,
e não toleramos respostas erradas e equívocos.
“Decifre-me ou devoro-te”
Outros acham que sabem tudo sobre nós
e que nós sabemos tudo sobre eles.
“Decifre-me ou devoro-te”
Achamos que nos conhecemos bem,
e que devemos conhecer tudo sobre o outro.
“Decifre-me ou devoro-te”
Ainda podemos nos esconder sob mascaras,
não sei nem se conheço seu verdadeiro rosto.
“Decifre-me ou devoro-te”
Sabemos da hipnótica verdade,
e continuamos com a mesma van filosofia.
“Decifre-me ou devoro-te”
Olhos de míopes,
num mundo enevoado.
“Decifre-me ou devoro-te”
Deveríamos desistir de decifrar por inteiro, o mutável.
Ser humano, ser complexo, ser esfinge.
“Decifre-me ou devoro-te”
Enigma impossível de resposta única e teligível,
então vamos devorando uns aos outros.

Dialogo com uma apaixonada

“Você acredita no amor e em contos de fada?”
“O quê??? Como assim você nunca acreditou?”
“Nada de príncipes, princesas, gnomos, unicórnios e finais felizes?”
“Claro... Ás vezes eu também duvidei que existisse, mas no fundo, nunca deixei de sonhar.”
“Inocente? Imatura? Iludida? Nunca!”
“Veja meus pés... Estão pisando no chão.”
“Vê essas cicatrizes curadas? Já andei por muitos lugares.
Vi problemas monstruosos.”
“Sim... Mesmo depois de tudo continuo acreditando!”
“Porque!!! Não parece obvio?”
“Porque só pode se tornar real se você acreditar ser possível...
Porque uma coisa não pode existir para você se a considera impossível...
Mesmo que ainda não a tenha visto ou enxergado.”
“Uma prova que tudo isso existe? Vejamos...
Você já viu um dinossauro?”
“Nunca? Estranho... Tem certeza? Parece que você já viu pelo menos um...”
“O quê? É mais fácil ver de novo dinossauros do que uma fada-madrinha?
Eles são monstros seculares já mortos, dos quais só restam os ossos!
São seus problemas mais antigos que podem estar subterrados bem fundo!
Mas que você, pelo que percebi, insiste em escavar e ficar apenas admirando!”
“Provado!”
“Acredita em mim agora?”
“Então trate de realmente ver, enxergar!
Seja otimista e não veja apenas o que agora sabe ser o resto do dinossauro!
Deixa a terra com o vento cobrirem! E vai caminhar mais!”
“O quê? Melhor ficar parada esperando?”
“Bem... Evita apenas pisar em espinhos... Deve ser bem monótono não conhecer outros caminhos... E isso também não impede dragões de aparecerem...
Então, vá caminhar, faça amizade com fadas, corra atrás dos trevos, tente desviar dos tais espinhos... Talvez encontre uns dragões... E quem sabe um belo matador de dragões para te ajudar?”

Futuro

Todos estamos defronte de um nevoeiro.
As nossas costas ficam o passado descoberto.
A névoa turva as estradas e os pés testam o caminho.
Tentamos sempre enxergar o além, alguns conseguem ver algo,
e se perguntam se será real ou fruto de sua imaginação doce ou dos seus medos.

Nada é exato através da névoa,
nossos olhos vislumbram horizontes de incertezas.
E o que move a vida é a curiosidade, a vontade, o querer tornar certo o antes incerto,
descobrir se o caminho que você escolheu é aquele que você projetou.
E se tropeçar e cair você pode encontrar, no chão, uma nova trilha que não tinha visto antes.

Grande futuro incerto, motor propulsor da vida.
...Mas às vezes eu gostaria de ter uma bola de cristal,
Ao mesmo tempo em que é difícil é maravilhoso não saber.
Há pessoas, príncipes e fadas que caminham comigo.
O que é aquele ser enorme e aquela luz vermelha-alaranjada mais adiante?

Escrevo no livro de minha vida uma página a cada dia,
a medida que atravesso e revelo o desconhecido por trás da névoa,
junto com a ansiedade das incertezas e as respostas ás perguntas.
Quando cheguei perto, vi que um dragão estava assando mashimelows,
e não lançando chamas e trazendo o caos.

Amontoado de palavras:

Árvore
Semente
Criação
Idéia
Pensamento
Imaginação
Descoberta
Horizontes
Viagem
Livro
Páginas
Folhas
Outono
Renovação
Natureza
Vida
Arte